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Entrevista
SNU-TEF(FSU) - Embaixada Brasileira na
França
Defesa das Missões da Inspeção do
Trabalho no Brasil através do caso de
Fernanda Giannasi
Como sindicalistas franceses, filiados
à FSU, a primeira organização
sindical do Serviço Público,
compartilhamos a alegria do povo
brasileiro quando da chegada ao poder do
presidente Lula.
Mas a inspeção do trabalho brasileira
- que já vem trabalhando em condições
difíceis devido à relevância das
desigualdades sociais e do
"trabalho informal" no Brasil
- a esperança se transformou
rapidamente em decepção:
· Por falta de proteção policial,
3 inspetores do trabalho caíram numa
armadilha mortal no dia 28/1/2004 ao
fazer uma fiscalização de uma plantação
de soja;
Dia 20/2/2004 ocorreu a interdição
profissional brutal, arbitrária e
imotivada de Fernanda Giannasi,
inspetora do trabalho em São Paulo, a
quem seu próprio ministério proibiu
qualquer fiscalização em empresas por
55 dias, sendo confinada à sua sala de
trabalho. Ela recuperou posteriormente
liberdade de atuação parcial em seu
campo profissional - a prevenção de
riscos ligado ao amianto - apesar de ser
a melhor especialista sobre o amianto no
Brasil e de ter participação relevante
na criação da ABREA-Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto,
tendo estado presente em inúmeras reuniões
e entrevistas públicas. Atualmente, ela
não está autorizada a inspecionar
empresas de amianto fora do Estado de São
Paulo, ou seja, onde estão instaladas a
maioria das empresas que têm vínculo
com este grave risco.
A decisão de "interdição
profissional" adotada pela Srª.
Ruth Vasconcelos Vilela, Secretária da
Inspeção do Trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego do Ministério do
Trabalho e Emprego, ocorreu não por
acaso no momento em que as negociações
em curso há 3 anos entre as grandes
empresas de amianto e a ABREA - sobre
indenização e assistência médica -
fracassaram, sendo que Fernanda Giannasi
teve um papel importante nestas negociações.
Paralelamente nossa colega é objeto de
uma queixa-crime por parte do
ex-Ministro do Trabalho, Almir
Pazzianotto Pinto, que se considera
difamado pela revelação dos seus vínculos
com o lobby do amianto, através do
apoio a um sindicato "amarelo"
montado pela Saint-Gobain em 1985, para
se contrapor ao sindicato realmente
independente.
Este contexto constitui não somente uma
ameaça para o exercício das missões
de proteção dos direitos dos
trabalhadores sob a responsabilidade
legal do Ministério do Trabalho, mas
também uma violação flagrante pelo
Brasil de suas obrigações
internacionais firmadas através das
convenções da Organização
Internacional do Trabalho-OIT:
· Convenção nº. 81 sobre a Inspeção
do Trabalho (Artigos 6 º. sobre a
independência da inspeção do trabalho
com relação a "qualquer influência
externa indevida" e 12º. sobre o
direito permanente de acesso às
empresas;
· Convenção nº. 87 sobre as
liberdades sindicais;
· Convenção nº. 162 sobre a prevenção
do risco amianto (Artigo 5º. alíneas 1
e 2).
Como sindicalistas da Inspeção do
Trabalho, somos solidários com Fernanda
Giannasi e estamos determinados a obter
a aplicação no mundo todo das Convenções
Internacionais da OIT, pré-citadas, que
são a base de toda a proteção dos
direitos sociais dos trabalhadores.
Nossa motivação se deve também ao
fato de que a França está envolvida
com o drama do amianto: a interdição
muito tardia(1996) deste produto cancerígeno
vai provocar 100.000 mortes em 20 anos!
Por outro lado, a multinacional francesa
Saint-Gobain é uma das principais
empresas do amianto no Brasil e mantém
vínculos no mais alto nível do governo
brasileiro para evitar uma interdição
do amianto e uma real proteção dos
trabalhadores expostos.
Entregamos, portanto, a esta Embaixada
documentos, petições, artigos já
publicados sobre o assunto a serem
transmitidos ao governo brasileiro.
Sabedores que estas graves preocupações
são compartilhadas pelo atual governo
do Brasil, esperamos que ele saberá
tomar rapidamente todas as medidas
necessárias para restaurar toda a
liberdade de ação profissional de
Fernanda Giannasi, assegurando assim o
pleno respeito às Convenções
Internacionais, acima mencionadas.
Na falta de uma atitude favorável,
iniciaremos uma campanha internacional
de apoio a Fernanda Giannasi, que será
alvo de uma ampla divulgação.
Esperamos, portanto, ser mantidos
informados do andamento de nosso
encaminhamento junto à vossa Embaixada
pelo e-mail: pierre.meriaux@dd-38.travail.gouv.fr.
45 rue de Javel - 75015 PARIS
( 01 44 37 00 30
Fax 01 44 37 00 40
. snu.travailemploi@free.fr
TEXTO
ORIGINAL
Paris, le 2 juin 2004
Entrevue SNU-TEF (FSU) - Ambassade du Brésil
Défense des missions de l'inspection du
travail au Brésil
à travers le cas de Fernanda GIANNASI.
En tant que syndicalistes Français (affiliés
à la FSU, la 1ère organisation
syndicale de la Fonction Publique) nous
avons partagé la joie du peuple brésilien
lors de l'arrivée au pouvoir du Président
LULA.
Mais pour l'inspection du travail brésilienne
- qui travaille déjà dans des
conditions difficiles vu l'importance
des inégalités sociales et du travail
"informel" au Brésil - l'espérance
s'est bien vite transformée en déception
:
- Faute de protection policière 3
Inspecteurs du travail tombent dans une
embuscade mortelle le 28 Janvier 2004
lors d'un contrôle d'une plantation de
soja ;
- Le 20 Février 2004 interdiction
professionnelle brutale, arbitraire et
non motivée de Fernanda GIANNASI,
Inspectrice du Travail à Sao Paulo, à
qui son propre ministère a interdit
tout contrôle en entreprise pendant 55
jours, la confinant dans son bureau.
Elle n'a retrouvé depuis qu'une liberté
d'action partielle sur son terrain
professionnel, la prévention des
risques dus à l'amiante, alors que c'est
la meilleure spécialiste de l'amiante
au Brésil, qu'elle a participé à la
création de l'ABREA (Association of
Asbestos Exposed Workers in Brazil) et
participé à de nombreuses réunions et
émissions publiques. Actuellement elle
ne peut visiter des entreprises d'amiante
hors de l'Etat de Sao Paulo, c'est à
dire là où sont implantées la plupart
des usines concernées par ce risque
majeur.
La décision "d'interdiction
professionnelle", prise par Mme
Ruth VASCONCELOS VILELA, secrétaire générale
de l'Inspection du Travail, est
intervenue comme par hasard au moment ou
les négociations engagées depuis 3 ans
entre les grandes compagnies d'amiante
et l'ABREA sur l'indemnisation et les
soins médicaux de 2500 salariés
victimes de l'amiante échouaient, alors
que Fernanda GIANNASI avait participé
activement à ces négociations.
Parallèlement notre collègue faisait
l'objet d'une plainte criminelle par un
ex Ministre du travail (Almir
Pazzianotto Pinto) s'estimant diffamé
par la révélation
de ses liens avec le lobby de l'amiante
à travers le soutien à un syndicat
"jaune" monté par Saint
Gobain en 1985 pour contrer un syndicat
réellement indépendant.
Ce contexte constitue non seulement une
menace pour l'exercice des missions de
protection des droits des travailleurs
confiées par la loi à l'inspection du
travail mais aussi une violation
flagrante par le Brésil de ses
obligations internationales consignées
dans les conventions de l'Organisation
Internationale du Travail (cf. copies
jointes) :
- Convention N° 81 sur l'inspection du
travail : article 6 sur l'indépendance
de l'inspection du travail par rapport
à "toute influence extérieure
indue" et 12 sur le droit d'accès
permanent aux entreprises.
- Convention N° 87 sur les libertés
syndicales.
- Convention N° 162 sur la prévention
du risque amiante (art 5 al 1 et 2).
En tant que syndicalistes de l'inspection
du travail nous sommes solidaires de
Fernanda GIANNASI et déterminés à
obtenir l'application partout dans le
monde des conventions internationales du
BIT précitées qui sont la base de
toute protection des droits sociaux des
travailleurs.
Notre motivation tient aussi au fait que
la France est concernée par le drame de
l'amiante : l'interdiction très tardive
de ce produit cancérogène (en 1996) va
provoquer 100 000 morts en 20 ans ! Par
ailleurs Saint-Gobain, multinationale
française, est un des acteurs les plus
importants de l'amiante au Brésil et a
des relais au plus haut niveau du
gouvernement brésilien pour éviter une
interdiction de l'amiante et une réelle
protection des travailleurs exposés.
Nous vous remettons donc des documents,
pétitions, articles déjà sortis sur
ce sujet, à transmettre au gouvernement
brésilien.
Sachant que ces préoccupations de fond
sont partagées par le gouvernement
actuel du Brésil nous espérons qu'il
saura prendre rapidement des mesures
restaurant la liberté d'action
professionnelle de Fernanda GIANNASI et
assurant donc le plein respect des
conventions internationales précitées.
A défaut de réaction positive nous
engagerons une campagne internationale
de soutien à Fernanda GIANNASI qui
passera par une large médiatisation.
Nous souhaitons donc être informés des
suites de notre démarche auprès de
votre ambassade (par mel à pierre.meriaux@dd-38.travail.gouv.fr
).
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