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ABREA -
Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto |
AMIANTO OU ASBESTO
O amianto ou asbesto é uma fibra mineral natural sedosa
que, por suas propriedades físico-químicas(alta resistência mecânica e às
altas temperaturas, incombustibilidade, boa qualidade isolante, durabilidade,
flexibilidade, indestrutibilidade, resistente ao ataque de ácidos, álcalis e
bactérias, facilidade de ser tecida etc.), abundância na natureza e,
principalmente, baixo custo tem sido largamente utilizado na indústria. É
extraído fundamentalmente de rochas compostas de silicatos hidratados de magnésio,
onde apenas de 5 a 10% se encontram em sua forma fibrosa de interesse
comercial.
Os nomes latino e grego, respectivamente, amianto e asbesto, têm relação
com suas principais características físico-químicas, incorruptível e
incombustível.
Está presente em abundância na natureza sob duas formas: serpentinas(amianto
branco) e anfibólios(amiantos marrom, azul e outros), sendo que a primeira -
serpentinas- correspondem a mais de 95% de todas as manifestações geológicas
no planeta.
Já foi considerado a seda natural ou o mineral mágico, já que vem sendo
utilizado desde os primórdios da civilização, inicialmente para reforçar
utensílios cerâmicos, conferindo-os propriedades refratárias.
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Mineral bruto
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Fibras ao microscópio eletrônico
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Telhas de
cimento- amianto
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Amianto de Minaçu(GO) in natura
e processado
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Com o advento da Revolução Industrial no século XIX, o
amianto foi a matéria-prima escolhida para isolar termicamente as máquinas e
equipamentos e foi largamente empregado, atingindo seu apogeu nos esforços
das primeiras e segundas guerras mundiais. Dali para frente, as epidemias de
adoecimentos e vítimas levaram o mundo "moderno" ao conhecimento e
reconhecimento de um dos males industriais do século XX mais estudados em
todo o mundo, passando a ser considerado daí em diante a "poeira
assassina".
Os grandes produtores mundiais tentaram por muito tempo atribuir toda a
malignidade desta matéria-prima ao tipo dos anfibólios, menos de 5% de todo
o amianto minerado no mundo, e salvar este negócio lucrativo, atribuindo à
crisotila (amianto branco) propriedades benéficas, tanto do ponto de vista da
saúde, como sua necessidade para as populações de baixa renda no uso de
coberturas e abastecimento de água potável. Hoje a polêmica do bom e mau
amianto já está praticamente superada em todo o mundo, tendo em vista a
vasta literatura médica mundial existente e fruto da produção acadêmica de
todo um século.
O Brasil está entre os cinco maiores produtores de amianto do mundo e é também
um grande consumidor, havendo por isto um grande interesse científico a nível
mundial sobre nossa situação, quando praticamente todos os países europeus
já proibiram seu uso. A maior mina de amianto em exploração no Brasil
situa-se no município de Minaçu, no Estado de Goiás e é atualmente administrada pela
empresa brasileira Eternit S/A, mas que até recentemente era explorada por
grupo franco-suíço(Brasilit e Eternit) em cujos países de origem o amianto
está proibido
desde o início da década de 90.
No Brasil, o amianto tem sido empregado em milhares de produtos,
principalmente na indústria da construção civil(telhas, caixas d'água de
cimento-amianto etc.) e em outros setores e produtos como guarnições de
freio(lonas e pastilhas), juntas, gaxetas, revestimentos de discos de
embreagem, tecidos, vestimentas especiais, pisos, tintas etc.
O Canadá, segundo maior produtor mundial de amianto, é o maior exportador
desta matéria-prima, mas consome muito pouco em seu território(menos de 3%).
Para se ter uma idéia de ordem de grandeza e da gravidade da questão para os
países pobres: um(a) cidadão(ã) americano(a) se expõe em média a
100g/ano, um(a) canadense a 500 g/ano e um(a) brasileiro(a), mais ou menos, a
1.200g/ano.
Este quadro inicial nos indica uma diferença na produção e consumo do
amianto entre os países do Norte e do Sul, em especial, o Brasil, explicada
pelo fato de que o amianto é uma fibra comprovadamente cancerígena e que os
cidadãos do Norte já não aceitam mais se expor a este risco conhecido. O
amianto é um bom exemplo de como estes países transferem a produção a
populações que desconhecem os efeitos nocivos deste produto, enquanto para
eles buscam outras alternativas menos perigosas, recorrendo à política do
duplo-padrão (double-standard): produção e comercialização de produtos
proibidos nos países desenvolvidos e liberados para os países em
desenvolvimento.
Entre as doenças relacionadas ao amianto estão a asbestose (doença crônica
pulmonar de origem ocupacional), cânceres de pulmão e do trato
gastrointestinal e o mesotelioma, tumor maligno raro e de prognóstico
sombrio, que pode atingir tanto a pleura como o peritônio, e tem um período de
latência em torno de 30 anos.
Destas doenças, poucas foram caracterizadas como
ocasionadas pela exposição ao amianto no Brasil. Menos de uma centena de casos
estão citados em toda a literatura médica nacional do século XX, sendo este um
dos mecanismos que tornam estas patologias invisíveis aos olhos da sociedade,
fazendo-a crer que a situação brasileira é diferente da de outros países,
levando com isto a um protelamento de decisões políticas, entre as quais o seu
banimento ou proibição.
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