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ABREA - Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto |
RESOLUÇÃO: SEMINÁRIO EUROPEU DO AMIANTO
Preâmbulo:
Embora
a União Européia tenha adotado diretivas para banir o uso de todos os tipos de
amianto até 2.005, cientistas prevêem que o total de mortes relacionadas ao
amianto nos próximos anos poderá exceder a quinhentos mil somente na Europa
Ocidental. A origem das exposições ao amianto é predominantemente
ocupacional, embora mortes causadas por exposições ambientais podem ser
significativas. À vista do aumento do número de vítimas do amianto, os
delegados presentes ao Seminário Europeu do Amianto, ocorrido no Parlamento
Europeu em 7 e 8 de Junho de 2.001, desejam fazer as seguintes recomendações
à Comissão Européia, ao Parlamento Europeu e aos governos dos
Estados-membros.
Referente
às Políticas de Prevenção:
Apoio
a redes locais, nacionais e internacionais para identificação e registro de
fontes de exposição ocupacional e ambiental; fornecimento de assistência
concreta e financeira para trabalho a ser realizado na compilação de inventário
destas fontes.
Fornecimento
em tempo hábil às populações sob risco de informações acuradas da presença
e perigos do amianto e produtos que o contenham.
Rejeição
de propostas com o objetivo de aumentar o limite atual de concentração aceitável
de amianto em resíduos.
Desenvolvimento
e implementação de técnicas para tratamento de resíduos contendo amianto.
Rejeição
das presentes e futuras exceções no uso de amianto, tais como a atual derrogação
que permite a continuidade de seu uso na produção de cloro.
Referente
ao Direito das Vítimas:
Harmonização
de critérios de identificação e indenização das doenças relacionadas ao
amianto causadas por exposição ocupacional e ambiental.
Estudo
das diferentes legislações entre os países referente à responsabilidade
legal pelas doenças relacionadas ao amianto.
Referente
a Prioridades de Novas Pesquisas:
Compromisso
de monitoramento médico das populações expostas, objetivando fornecer efetivo
tratamento médico e indenização às vítimas.
Compromisso
de desenvolver efetiva abordagem diagnóstica e terapêutica para as doenças
relacionadas ao amianto.
Compromisso
de monitorar o atual quadro de doenças relacionadas ao amianto e continuamente
atualizar os prognósticos epidemiológicos.
Compromisso
de integrar pesquisa clínica com investigações sobre os custos humanos e
sociais das doenças relacionadas ao amianto para as vítimas e suas famílias.
Referente
à prática de duplos-padrões(Double Standards):
Monitoramento
das operações de empresas européias e suas subsidiárias em países não
pertencentes à União Européia, identificando e promovendo ações legais
contra a conduta de empresas que infringem leis e regulamentos europeus sobre o
amianto.
Aprovação
e cumprimento de legislação que assegure a responsabilização de empresas
culpadas de exporem ao amianto trabalhadores, população em geral e o meio
ambiente e regulando níveis de indenização, garantida por fundos, acordados
pelos estados-membros.
Encorajar
a OIT e OMS a atualizar medidas relacionadas ao amianto tais como a Convenção
162 da OIT e o Critério 203 sobre a Crisotila alinhada
com as diretivas européias.
Conclusão:
O
Seminário reconhece o papel-chave dos grupos organizados de vítimas do amianto
pelas conquistas obtidas até o momento e encoraja fortemente a cooperação com
estes grupos, outros movimentos sociais e ONGs trabalhando nesta área como
ocorre na prática nas instâncias das Nações Unidas. Foi reforçado a
necessidade e urgência de apoio financeiro para projetos com o objetivo de
melhorar a situação das vítimas do amianto.
É
evidente que muitos países europeus têm problemas relativos aos usos
desordenado e continuado de amianto. Nós recomendamos veementemente que ações
gradativas devam ser tomadas para avaliar a extensão destes problemas.
Fora
das economias de mercado estáveis, exposição ao amianto é ainda um risco
ocupacional e ambiental considerável. Este fato foi confirmado pelos
representantes indiano e brasileira presentes ao Seminário. Não há “limite
seguro”, “qualquer exposição ou contato com amianto pode causar doença
fatal de pulmão, inclusive o câncer. Aumento dos esforços para comercializar
amianto nos países em desenvolvimento têm sido feito pela indústria
internacional do amianto. É imperativo que todo esforço possível seja feito
para fornecer informação científica sobre os riscos do amianto e a
disponibilidade de alternativas mais seguras para os países que ainda não
baniram o amianto. Adicionalmente pesquisa para quantificar os usos passado e
atual de amianto e produção deverão ser conduzidos; esta informação deverá
ser disseminada para todas as populações em condições de risco.
Os países que ainda não baniram o amianto, a saber Luxemburgo, Grécia, Espanha e Portugal, deverão ser pressionados/estimulados a fazê-lo imediatamente.