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Lançada em São
Paulo, a campanha "Amianto Mata"
Foi lançada neste domingo (03/12), na
capital paulista, a campanha "Amianto Mata", iniciativa da Associação
Brasileira dos Expostos ao Amianto - Abrea - e Secretaria Municipal
Verde e Meio Ambiente, com apoio do Centro Universitáriio Nove de
Julho - Uninove. O amianto ou asbesto é o nome comercial adotado para
um conjunto de minerais fibrosos constituídos de silicato de magnésio,
que é utilizado em, aproximadamente, três mil produtos industriais,
entre eles, telhas, caixas d'água, tubulações, divisórias, painéis
acústicos e resistentes ao fogo, pisos e forros.
O objetivo da campanha, que será
realizada nos principais parques públicos da cidade, é conscientizar a
população para o mal que o amianto causa à saúde e ao meio ambiente,
além de orientar sobre a manutenção e reparos em produtos que
contenham os minerais e os cuidados no descarte desses produtos, que
devem ser embalados em sacos plásticos resistentes. O Conselho
Nacional do Meio Ambiente - Conama - obriga que os resíduos
provenientes de obras de construção civil contendo amianto sejam
depositados em aterros industriais para lixo perigoso.
Não ao amianto
Para Fernanda Giannasi, engenheira civil, auditora-fiscal do
Ministério do Trabalho e Emprego (DRT/SP), fundadora da Abrea e da
Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto na América Latina, é
importante fazer com que o consumidor saiba que o amianto é
cancerígeno e mata, provocando uma mudança de atitude. "O consumidor
precisa ser convencido a dizer não ao amianto para que a demanda da
produção seja reprimida", disse ela.
Os produtos com amianto são mantidos no
mercado, porque sendo mais baratos vendem mais, mas de acordo com a
engenheira, as empresas que produzem telhas e caixas d'água no país já
podem fabricar os produtos também sem a fibra. "O dia em que o amianto
for definitivamente banido, no dia seguinte, a empresa já terá o
produto alternativo para fornecer aos revendedores. O amianto tem os
dias contados", assegura Fernanda. Segundo ela, o consumidor procura o
menor preço porque não tem informação, não sabe que o produto faz mal
ou pensa que o problema é só de quem trabalha com os minerais. São
esses os principais pontos que os materiais da campanha abordam.
Visibilidade
Helio Neves, chefe de Gabinete da Secretaria Municipal Verde
e Meio Ambiente, que esteve no lançamento da campanha representando o
Secretário Eduardo Jorge, disse que esses esclarecimentos são
importantes porque, embora haja uma lei municipal em São Paulo
proibindo o uso do amianto, a comercialização dos produtos contendo os
minerais é livre. "A campanha vem no sentido de esclarecer a população
e assim, reduzir os riscos de doenças provocadas pelo amianto, como
câncer de pulmão, de laringe e do aparelho digestivo", afirmou.
Essas doenças podem demorar muitos anos
para se manifestar e são incuráveis. Além dos cânceres, o amianto
causa também doenças não malignas, como a asbestose, uma fibrose ou
endurecimento do pulmão (pulmão de pedra), doenças pleurais e
derrames. Para Renê Mendes, presidente da Associação Nacional de
Medicina do Trabalho - Anamt - o principal ganho do evento é dar
visibilidade ao problema, atingindo segmentos que não estão
preocupados com essa questão. "Se as pessoas se virem como
potencialmente expostas aos riscos do amianto aumenta a sensibilidade
e a possibilidade de mudança de política e apoio a legislações mais
ousadas, Para isso, a participação da população é fundamental",
afirmou.
Legislação
No Brasil, apenas três Estados - Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Pernambuco - proíbem a utilização do amianto, mas cerca de 20
cidades brasileiras têm leis municipais proibindo o uso dos minerais.
São Paulo é uma delas. A Lei 13.113 (16/03/2001) proíbe a utilização
de materiais com amianto na construção civil e prevê multa de 600
UFIRs para quem descumprir a lei. Além disso, a obra poderá ser
embargada e não obter o "habite-se" ou o alvará de funcionamento, no
caso de estabelecimentos comerciais e industriais.
Há forte pressão da indústria do
amianto para derrubar as leis estaduais no Superior Tribunal Federal,
como aconteceu nos Estados de São Paulo, onde a lei foi considerada
inconstitucional, e Mato Grosso do Sul, onde a lei foi aprovada mas
não sancionado pelo governador Blairo Maggi." Vamos continuar
trabalhando a favor das leis municipais e promovendo audiências
públicas para que a gente possa, em seguida, ter uma legislação para o
país todo" promete Fernanda Giannasi.
No caso de São Paulo, a lei respalda
iniciativas de esclarecimento da população sobre o amianto, como esta
campanha. "Vamos ter os resultados da mobilização só daqui a 30 dias,
quando será possível fazer uma avaliação das atividades, mas já
considero a iniciativa bastante positiva. A receptividade das pessoas
está sendo muito boa, a imprensa está cobrindo e tivemos aqui a
presença de diversas autoridades que vieram dar seu apoio", disse
Eliezer João de Souza, presidente da Abrea. Prestigiaram o lançamento
da campanha, Koshiro Otani, coordenador da área de Saúde do
Trabalhador da Secretaria de Estado da Saúde, os vereadores Dalton
Silvano e Carlos Giannasi, Carlos Clemente, dirigente do Sindicato dos
Metalúrgicos de Osasco, entre outros sindicalistas e representantes de
entidades de portadores de doenças ocupacionais.
Catástrofe sanitária
Não se sabe exatamente o número de doentes contaminados pelo
amianto no Brasil, mas estima-se que nos próximos 30 anos morrerão, na
Europa, cerca de 500 mil pessoas por causa do amianto, a maior
catástrofe sanitária do século XX, de acordo com especialistas. A
saída para a situação não piorar no Brasil, de acordo com os
militantes da área, é a imediata proibição da exploração,
industrialização, comercialização e utilização do amianto e de
produtos que contenham a fibra.
Mais informações sobre a
campanha "Amianto Mata"
Abrea - tel (11) 3681.2710;
abrea@abrea.com.br;
Secretaria Municipal Verde e Meio Ambiente
- tel (11) 3372.2200
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