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ABREA - Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto |
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Uso de amianto pode ter matado operários no Rio
FELIPE WERNECK
RIO - A suspeita de que operários da indústria de isolamento térmico Teadit, na zona norte do Rio, tenham morrido em conseqüência da inalação de amianto está causando uma batalha jurídica entre a empresa e a Secretaria Estadual da Saúde. Embora a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tenha registrado entre os operários casos de morte por asbestose, doença respiratória provocada pelo produto, a direção da Teadit alega ter laudos negando que isso tenha ocorrido. Um inquérito civil público foi aberto pelo Ministério Público Federal para apurar as denúncias, a pedido da secretaria.
"Tenho a informação de que foram cinco óbitos, mas ainda não recebi os atestados da Fiocruz", disse a coordenadora do Programa de Saúde do Trabalhador da secretaria, Fátima Ribeiro. Segundo ela, o debate médico sobre a causa das mortes "está no fim" e o caso poderá ter um desfecho nesta semana. O coordenador do Centro de Estudos de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) da Fiocruz, Hermano Albuquerque, diz que já notificou "algumas mortes", sem informar um número exato. "Não existe nada disso, ninguém morreu por causa do amianto que usamos aqui, porque atendemos a todas as exigências feitas pela lei", afirmou Luigi Biancheri, diretor da Teadit. "Os laudos da Fiocruz não têm consistência científica, porque não foi feita autópsia", alegou.
Substituição - A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio programou para o dia 7 um protesto na frente da indústria, exigindo que o amianto não seja mais utilizado. O diretor da Teadit admite que já está sendo estudada a substituição do produto por outras fibras não nocivas na produção de isolantes térmicos, enquanto é discutida pelo Ministério do Meio Ambiente a mudança na legislação proibindo a utilização do mineral, como já ocorreu na maioria dos países da Europa.
"Se a lei ainda permite usar o amianto, infelizmente a mudança não depende de mim. O mercado compra o amianto porque ele é mais barato e a indústria segue esta lógica", afirma. "O que ocorre é uma briga política de quem defende e quem é contra o amianto. O que posso dizer é que faço o que a lei permite e ainda uso um nível de fibra que é 25% inferior ao que é exigido pela legislação."
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